terça-feira, 16 de julho de 2019

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Todos os meus amigos se penduram de cabeça pra baixo em cordas de cross fit ou argolas ou tecidos ou liras ou nos namorados, ou fazem yoga, ou nadam ou correm ou pedalam quilômetros ou escalam montanhas,  ou malham às 5h de segunda a segunda ou tem lindos filhos ou cachorros ou gatos ou tomam cervejas chiques ou drinks coloridos ou cafés ou chocolates tão bonitos que chega a ser pornografia e conhecem a Europa e a Ásia e lugares longínquos e inexplorados desta América do Sul.
Eu sinto saudades, admiração, inveja, ou vontade e posto fotos nostálgicas ou engraçadas fingindo não estar fingindo meu fingimento e chamo de arte para não sentir culpa por alimentar mais uma rede social. A armadilha do consumo é tão fácil! Eu-mercadoria.
É tudo tão colorido como um joguinho daqueles de apostar moedas e eu digo a mim mesma que é inofensivo, como um cassino ou um revólver.
Problematizo e depois problematizo o problematizar e agora os desgraçados descobriram que eu gosto de itens de organização. Num dia você é jovem, no seguinte fica vendo vídeos patrocinados e desejando prateleiras internas de armários para estocar xícaras e sapatos.
No fundo eu queria era ser mais cool e mais elástica e loura e ter um jogo de xícaras que fizesse par.

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