quarta-feira, 10 de julho de 2019

Foi no fim da graduação que adquiri o hábito de fingir que conhecia todas as pessoas. Cansada de ser traída pela memória, naquelas rodas de bar ou festa sempre formadas por amigos ou amigos de amigos, eu simplesmente desisti de lembrar de rostos ou nomes, transferi o constrangimento a meu interlocutor e passei a ser só sorrisos. "Olá, tudo bem?". Se a pessoa não me reconhecesse a esquecida seria ela; e eu poderia até ser gentil e repetir o nunca dito, "Marina". Logo ganhei fama de simpática e popular. Assim até hoje lembro de quase amigos a quem jamais fui apresentada, e sinto saudades sem nomes de risos de enebriadas noites e amanhecer.

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