Nem todas as plantas precisam da mesma quantidade de água e sol
O que para uma é necessidade, para outra é mortal
Há que se conhecer as querências daquilo que se cuida
e quem verdeja no jardim pode morrer numa sala à meia luz
Há que se respeitar a natureza das coisas
e as plantas também são cheias de vontades
As plantas gritam em cores
É preciso cortar fora os galhos amarelos
E, quando se vai tirar algo de fresco e são
para temperar o almoço
ou fazer um chá
deve-se arrancar todo o galho
Parece maldade arrancar todo um galho
por apenas umas poucas folhas
mas
o galho
depende
de cada uma daquelas folhinhas
e
sem elas
fica
fraco
Assim as plantas me ensinaram que não se pode apenas
usurpar aparentes futilidades daquilo que achamos belo
porque aquilo - a obra, o sexo, o amor -
vira o emaranhado de galhos que era,
mas seco
como o filme de terror da vida quando nos roubam
aquilo que nos tornava capazes de captar o sol
- Se me queres, queira-me galhos e entranhas!
As plantas me ensinaram que raízes também precisam de espaço
porque crescem, como todo o resto
(sempre me referi a raízes como segurança estática
e não como o apoio vivo que busca nutrir)
Há as plantas que dominam o espaço e as que são dominadas
e se escolhermos a mais fraca, há que se arrancar as ervas-daninhas
um jardim de ervas daninhas é mato,
e mato é o nome que damos às plantas as quais não criamos afeto
mato é o outro das nossas plantas
um jardim é colonizar o verde
e flores plantadas podem ser aquilo que os ianques chamam de liberdade
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019
O que aprendi cuidando de plantas
Rabiscado por
Marina
às
18:00
Temática(s): Crescer e alguns outros versos
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