Foi só quando entendi que o tempo é eterno que aprendi apreciar os dias de
[chuva.
Lá fora goteja o agora. A vida são aqueles pingos escorrendo do telhado, para todo
[o sempre.
O mar fica lindo naquele azul cinzento prateado.
Parado, como o tempo.
O tempo da tempestade é lento como um domingo.
E o domingo é de Deus
(ou o sábado. Ou o dia que sua religião pedir; se quiser, salve as quintas-feiras)
salve um dia para a sua santidade e desligue o telefone
ou ligue. Não importa
desde que respeite seu deus
e não trabalhe.
Somente num dia assim tão cinzento é possível dedicar-se integralmente ao amor, por exemplo.
O amor que não sai da cama
aquelas férias sem a obrigação de conhecer trezentos e vinte e nove pontos turísticos.
A água faz música
tilinta
e o trovão é a bateria
a cachorra tem medo do barulho,
um medo tão justificado quanto todos os outros,
acho que ela identificaria antes do mim o fim do mundo.
ela se junta a nós no cochilo de tarde na cama.
Cheguei onde eu queria,
exatamente onde eu queria
- o caminho com conchinhas no chão e nos teus braços -
o tempo existe como a água
e a felicidade como nuvem
e chove
lindamente
segunda-feira, 3 de setembro de 2018
Rabiscado por
Marina
às
18:00
Temática(s): Crescer e alguns outros versos
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário