Pergunto-me se, caso fosse uma década e meia mais nova, teria um canal de youtube. Não digo um canal bem produzido como o da minha amiga que tem milhares de seguidores e me mostrou que youtube é trabalho - nas nossas longas conversas acompanhei a compra de alguns materiais de produção e filmagem, a busca de alguém que soubesse editar e todo um planejamento de lançamento, com vários vídeos pré-prontos para que não se passassem semanas vazias. Não, isso eu sei que não teria. Pergunto-me se teria vídeos me julgando muito inteligente ou engraçada com uma câmera na cara. Acho que sim. É o que fazem os jovens de hoje em dia. Os velhos, como eu, já abandonaram as ilusões artísticas ou de pensamento - até mesmo aqueles que casaram com seus primeiros amores.
quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018
(Admiro quem casa com o primeiro amor como admiro um quadro sem saber pintar. Acho bonito e lembro que quando eu era criança eu tinha uns pincéis; aí acho que casar com o primeiro amor é aquilo, é brincar com tinta. A completude das coisas prontas falseia os esforços. Acho que começar um amor adulto é diferente porque já sabemos o tamanho do buraco; mas acho que o buraco tá aí pra todo mundo; o que muda é a corda e o ângulo da foto)
Sinto esse blog tão velho quanto o caderno de memórias da minha avó. Isso em si não é problema, o problema é quando entro em divagações de porquês e não consigo cumprir meus prazos. Isso aqui não é bem literatura; eu leio textos de quem faz literatura e essas pessoas são tão duras. Arte é uma arma e o que eu faço é tão classe média alta e pequeno que poderia embarcar na cabine do avião.
Faço arte almofada de encaixar pescoço.
Eu não queria pedir tantas desculpas.
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