Meu primeiro carnaval na Ilha da Magia foi feito de purpurina, areia, chuva e uma planilha para não perder nada.
No bloco dos sujos os homens se vestem de mulher. Tentei desligar a problematização - me diz desde quando mulher é fantasia; cês por acaso vão ganhar menos e ter medo de serem estuprados? - e pensei que poderia tirar meu top e ficar só de sainha de tule; fantasiada de homem fantasiado de mulher.
Os funks machistas ainda não saíram da cabeça - aqueles que, segundo a minha irmã, a gente dança com uma mão no joelho e outra na consciência; aí quando fala das novinha as duas vão pra consciência. Mas a batida, ah!
Havia muitos unicórnios, e no sábado um faraó e um Goku dançavam com suas latinhas de cerveja apoiadas em um cruz em frente à uma igreja no Campeche. Terminamos dançando até o chão em um estacionamento escuro.
Em Santo Antônio de Lisboa achei bizarro ter que passar por revista em festa de rua.
Vi maracatu dois dias seguidos e foi lindo. Na Armação, depois da banda, uma galera correu para um bar fechado e ficou tocando no espaço coberto. Quando fomos embora, havia gente festando no estacionamento. O que aprendi nesse carnaval é que nunca termina o carnaval; e que protetor solar é ótimo para fixar glitter.
quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018
Carnaval 2018
Rabiscado por
Marina
às
22:56
Temática(s): Colecionando Causos
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