segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

"Você assusta os caras"

Depois de um ano e meio de solteirice - ora convicta, ora desolada; ora sozinha, ora acompanhada; ora caseira, ora balada - eis que novamente me encontro naquela fase em que sim, gostaria muito de encontrar um bom rapaz para dormir de conchinha e tomar café na cama.
Ainda não aconteceu, e uma das justificativas das minhas amigas para uma pessoa tão maravilhosa quanto euzinha não ter um namorado para chamar de meu é... que eu assusto os caras. Sabe como é que é, eu sou muito (*insira aqui uma pretensa virtude*), os rapazes se sentem intimidados e ficam com medo.
Gente, você são umas lindas e aprecio a tentativa de me animar, mas... parem com esse argumento, por favor.
Eu não sou a protagonista do Exorcista, eu não sou declaração de imposto de renda, eu não sou engavetamento com 15 mortos, eu não sou prova de concurso, eu não sou a morte, eu não sou aranha nem altura ou lugar fechado. Eu sou só uma moça com virtudes e defeitos e convenhamos que não, eu não dou medo.
Amar talvez esteja mesmo ficando mais complicado, eu estou mesmo ficando mais exigente, e todo mundo tem licença para não gostar de mim - seja porque eu falo alto ou porque eu não tenho o perfume inesquecível daquela outra moça. Segue a vida, tudo bem. O que não está bem é essa mania de falar que ser inteligente/bem-resolvida/bonita/bem-sucedida/etc demais assusta os caras. Porque faz parecer que a gente tinha que ser menos para conseguir alguém. E não, não tem não. Sucesso só intimida quem não está bem consigo mesmo, e é preciso primeiro estar bem consigo para seguir ao lado de alguém. Fora que eu nunca vi nenhum cara ouvindo esse argumento - meninas, vamos parar de reproduzir sexismo e sermos incríveis?

(Não, eu não me acho a última Nutella do mercado. Eu só acho que todo mundo pode ser Nutella, e não vou me fingir de creme de avelã genérico pra ir com qualquer croissant)

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