terça-feira, 23 de novembro de 2010

Harry Potter e as relíquias da morte - Parte 1

Eu cresci lendo Harry Potter - li o primeiro e o segundo aos 12 anos, o terceiro aos 13 e o quarto aos 14 anos; a partir do quinto, que li aos 15, já comprava os livros em inglês porque não aguentava esperar. Eu reli cada um deles - com excessão do último - mais de uma vez. Eu lia fan fics gigantescas de Harry Potter, eu tenho uma camiseta de Harry Potter, eu discutia teorias sobre como aquilo ia acabar. Eu li todos aqueles livrinhos fininhos extras - o de quadribol, o de monstros, o do Beedle. Acho que nunca fui tão fã de algo na vida. Então é claro que, com meus 22 anos, eu tinha que ir ver a estréia da primeira parte do sétimo filme no cinema, que nem fiz com todos os outros, com excessão do quinto nem me lembro porque.
E eu comprei ingresso antecipado e fui.
Calhou que o filme estreiou bem no final de semana do vestibular da Unicamp, e minha irmã, grande compaheira nesta vida de fã, estava aqui em Campinas, com a minha mãe. Então fomos nós três e a Roomie, e chegamos no cinema 40 minutos antes da sessão. E tomamos um susto.
Que. Fila.
Dava voltas e voltas, e tinha empurra-empurra. E eu sou tão tapada que sequer tinha me lembrado que estréias de Harry Potter implicavam em filas gigantescas e empurra-empurra. Mas o pior de tudo era a faixa etária dos espectadores - minha irmã, com seus 17 aninhos, estava velha. Estavamos no meio de uma molecada na faixa dos 14.
Meu Deus, estou ficando velha.
Eu já tinha suspeitado que estava, quando estava passeando aleatoriamente um dia em uma livraria e vi uma edição de "O diário da Princesa" com capa diferente da minha - se minha edição de "O diário da Princesa" ficou velha, eu provavelmente também estou. Ainda lembro da primeira vez que surgiu um ídolo teen mais novo que eu. Ok, 22 anos na cara, sou adulta. Mas quem imaginaria que Harry Potter ganharia novos fãs? De onde brotou toda essa molecada? Eles não deveriam estar assistindo Crepúsculo???
E eles comentavam arduamente filmes e livros, e eu me dei conta que nem sabia bem como tudo tinha sido feito, e lembrava que na verdade eu nem esperava um filme muito bom mesmo, porque afinal filmes de Harry Potter sempre me decepcionam - alguns melhores, outros piores, nenhum conseguia capturar fielmente o universo da J.K.
O tempo passou, o cinema foi aberto, a molecada saiu correndo e se acotovelando. Ao menos, apesar disso, conseguimos bons lugares. E, depois de comerciais e traillers que pareciam infinitos, o filme começou.
E, se você quer saber, eu gritei com eles.
Que filme bom!
Não é porque eu sou fã. É porque é o melhor filme de Harry Potter que já fizeram. Não importa se dividir o último filme em dois foi algo extremamente caça-níquel. Pode caçar o meu. Com mais tempo para desenvolver a trama, ficou infitamente melhor. A história mais bem contada, sem atropelo e podendo parar nas piadas e detalhes interessantes embora desnecessários.
Eu sempre reclamei que os filmes de Harry Potter eram muito bobos, porque embora seja ficção infanto-juvenil, há trechos fortes nos livros. Mas ler é diferente de ver, e como o filme é voltado para a molecada tem que se ter cuidado com a classificação. As cenas de batalha eram sempre prejudicadas, a tensão de mortes e perdas sempre se perdia. Não neste filme. Pela primeira vez, parece que se deram conta que granade parte do público cresceu. É um final épico, tem que ter sofrimento e partes mais sombrias.
Os atores melhoraram absurdamente. Eu sempre impliquei com o Daniel Radcliffe, e ele se sai muito bem. Emma Watson está excelente. Apenas o Rupert Grint foi uma surpresa ruim - ele, que sempre foi o melhor dos três, parece ter apenas uma veia cômica muito forte, mas deixa a desejar em cenas mais dramáticas. De resto, todos cumprem muito bem seu papel. Os adultos eram adultos desde o princípio; é divertido ver que Hogwarts aprendeu a atuar. Eles não tem mais as mãos amarradas às costas, como eu costumava dizer a respeito da falta de expressão corporal.
A história foi respeitada e as intervenções muito bem colocadas e bem vindas. Há apenas uma cena importante e aguardada do livro que deixa a desejar - a do Harry e Rony no lago; quem leu sabe do que se trata, quem assistir vai entender. A impressão que me deu foi que quiseram exagerar, e mais uma vez houve a puxada de orelha da classificação e tudo acontece muito rápido. No livro, há mais tensão psicológica envolvida, a cena não precisava apelar. Apenas uma pequena falha, entretanto, entre tantas cenas bem construidas, de batalha, diálogos e espera.
Saí maravilhada do cinema, com vontade do próximo. Estarei na estréia ano que vem!

Nenhum comentário: