quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Seis dias em Sampa

De tão longo sequer merecia ser chamado de feriado. Quinta-feira era dia do funcionário público, emenda sexta; aí tem sábado e domingo, e na terça era finados, emenda a segunda... Acabamos com seis dias sem aula. Isso é metade das férias de julho! Fantástico, realmente.
Fomos para São Paulo o namorado, eu e um amigo, montar acampamento no apartamento do primeiro. Com direito a colchonete que mais parecia edredon - menos para mim, que afinal sou uma donzela indefesa e ganhei o colchão de verdade; sim, isso é machismo, mas ah, eles insistiram e eu posso aproveitar a parte boa da coisa, não?
E como a gente se divertiu. Acho que cada dia tem o seu momento digno de nota.

Na quinta, por exemplo, nós três mais dois amigos estávamos jogando imagem e ação, um trio e uma dupla. A dupla estava a uma casa da vitória.
E um dos meus amigos começou a mímica, enfiando um objeto imaginário na barriga do parceiro.
- Perfurar? - O parceiro chuta; o da mímica faz sinal de parecido.
- Matar? Dilacerar?
O da mímica pega a lousa e desenha. A essa altura eu e o namorado, que éramos do outro time, já tinhamos dado o jogo por perdido, porque mal tinha começado a cair a terrinha da ampulheta e a palavra era muito fácil.
- É uma faca? - o parceiro pergunta, o da mímica acena com a cabeça. - Cortar? Perfurar com a faca?
O da mímica começa a se angustiar, o parceiro começa a se repetir. A areinha caindo...
- Faca. Cortar com a faca... Facar?

Na sexta foi dia de salão do automóvel. Há tanto a se dizer que dispensa comentários - e olha que, apesar do que o clichê da engenharia mecânica diz, eu não entendo quase nada de carros. Mas foi realmente instrutivo. E hilário, com meus amigos pedindo foto com as modelos:
- Pode bater foto, sim. Só não abraça!
Cheguei em casa tão cansada que mal conseguia levantar os pés. De verdade.

No sábado, para completar as caminhadas, fomos ver a santa protetora dos nerds - Santa Efigênia, com suas infinitas lojas de eletrônicos - e depois comer lamén na Liberdade, o bairro oriental.
Tudo ótimo, não fosse a chuva.
E que chuva. Me encharquei até os ossos.
Descemos no metrô e nosso amigo japonês foi nos guiando rumo ao restaurante - ele no seu guarda chuva, eu tentando me esconder no agasalho fininho. Uns dois quarteirões depois, ele para:
- Droga, para a onde fica a ponte?
Merda.
Porque mesmo eu, que só tinha ido na Liberdade umas três vezes na vida, sabia que a ponte ficava para o outro lado.
Mais dois quarteirões extras de chuva...
Valeu a pena pelo lámen, mas ganhei uma gripe.

Mais tarde naquele dia, depois de meus amigos gastarem tempo infinito comprando miniaturas japonesas e animes em lojinhas, foi minha vez de me divertir: loja de cosméticos baratos!!!
Enquanto eu ficava em dúvida entre milhões esmaltes, os meninos apostaram em quem descobria o nome mais estranho.
- Mas onde fica o nome? - Me perguntaram.
Apontei as letrinhas pequenininhas.
E eles estavam realmente levando a disputa a sério, pegando potinhos e rindo alto, quando um deles descobre que os nomes também estavam escritos com letras gigantes nas prateleiras.
Na loja, ainda encontramos uma outra garota do nosso ano de engenharia.
Acho que eles ficaram com o orgulho ligeiramente ferido de terem sido flagrados...

No domingo, que nem Deus, a gente descansou. E votou/justificou, comeu pastel e jogou baralho.

Segunda o plano era ir ao Ibirapuera, mas o dia amanheceu terrivelmente nublado - e eu expelindo meus pulmões de tanto tossir, já com remédio comprado. Eu e o clima de São Paulo não nos damos bem. Desistimos. Claro que não choveu.
Mas fomos ao shopping, e ao cinema, e depois comer em um restaurante muito caro em que um amigo se entupiu de couvert, porque tinha refil.
Que vergonha. Acho que nunca mais vão deixar a gente entrar lá.

E hoje, depois de um churrasco, foi dia de começar a voltar... Tchau férias.
E depois de seis dias praticamente em companhia exclusivamente masculina, foi uma delícia pintar as unhas.

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