Os homens de bem falam de um deus carpinteiro que morreu para todos salvar. Ela não sabia morrer, mas sabia chorar.
Via no mundo as flores, ah sim, via; mas eram flores de caixão.
E pranteava.
Pranteava o mundo como carpideira, porque o mundo, ele todo, era um funeral.
Pranteava porque às vezes faltava quem no mundo chorasse; sonhos e expectativas e torrada com manteiga pra baixo e um menino de 14 anos assassinado a caminho da escola.
- Ah, o desconforto da comparação de tragédias com incidentes cotidianos e a incapacidade de dicerni-las misturada com vergonha de sentir! -
Em tudo há morte e desajuste e fim.
E as lágrimas enchiam baldes.
segunda-feira, 25 de junho de 2018
Carpideira
Rabiscado por
Marina
às
18:00
Temática(s): Crescer e alguns outros versos
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