segunda-feira, 25 de junho de 2018

Carpideira

Os homens de bem falam de um deus carpinteiro que morreu para todos salvar. Ela não sabia morrer, mas sabia chorar.
Via no mundo as flores, ah sim, via; mas eram flores de caixão.
E pranteava.
Pranteava o mundo como carpideira, porque o mundo, ele todo, era um funeral.
Pranteava porque às vezes faltava quem no mundo chorasse; sonhos e expectativas e torrada com manteiga pra baixo e um menino de 14 anos assassinado a caminho da escola.
- Ah, o desconforto da comparação de tragédias com incidentes cotidianos e a incapacidade de dicerni-las misturada com vergonha de sentir! -
Em tudo há morte e desajuste e fim.
E as lágrimas enchiam baldes.

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