Todo mundo tem suas drogas, e me apercebo que a cervejinha do final de semana vai virando os litrões do final da terça, quarta-feira. Como mais açúcar e mais palavras, no meu atropelo de falar. Eu penso muito e rápido demais, e pensar não resolve. Os problemas dançam ciranda e fatos simples da vida levantam da cadeira e vão rodar junto. Eu fico tonta e incapaz de decidir o que eu vou almoçar. Os dias acabam cada vez mais tarde e acordo cada vez mais cedo, sem despertador. E cada vez estou mais cansada e preciso de mais cafeína pra me manter acordada e pensar mais e mais, produzir mais e mais; mas cafeína me dá taquicardia. As horas passam tão rápido que eu mal me apercebo, são quatro da tarde e eu não fiz nada, os prazos ficam mais curtos e eu ainda não sei no que vale despender tanta energia, eu nem sei o que eu tenho que fazer e honestamente ninguém se importa com um mestrado ou doutorado ou o que quer que eu faça agora ou depois. Três pessoas vão ler. Mais um café, mais um terere, mais um energético, mais chá preto; mais um chocolate, mais uma página escrita, mais um futuro programado, mais infinitas interrogações. Mais uma cerveja, mais duas cervejas, aceito mais um copo, obrigada; essa conversa fica tão leve e minha tontura é culpa do álcool e não da minha incapacidade de girar com o mundo. Minha amiga diz que minha cachorra deve ser mais feliz; eu digo que não, imagina, passar o dia deitada e não ter objetivos na vida. Falo como se soubesse o que quero. Minha amiga diz que a cachorra não se faz essas perguntas existenciais. Eu não consigo parar de fazer perguntas. Eu não consigo decidir o que vou almoçar e quase esqueço de pagar meu aluguel.
domingo, 10 de abril de 2016
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