domingo, 25 de outubro de 2015

(Texto postado no FB)

Odeio prova. Prova só prova a capacidade de fazer a prova.
Sou contra o vestibular. Educação é um direito. Para quem vem de classes mais altas, o vestibular faz com que a definição de educação seja anos de treinamento altamente direcionado a uns poucos dias. Para quem vem de classe baixa, o vestibular é aquele papelzinho pro-forma para entrar em uma faculdade que encara educação como mercadoria; ou nem existe, porque nunca foi apresentada como possibilidade (claro que existem aquelas exceções que a meritocracia adora, mas veja bem - eu acho tragicômico ouvir gente falando que basta se esforçar quando pra mim, independente do meu esforço, nunca foi uma possibilidade ter que limpar o chão dos outros).
Ainda assim, numa semana em que surge tentativa de criminalizar pílula do dia seguinte; numa semana em que surgem textos discutindo a possibilidade de estuprar uma menina de 12 anos (era mais ou menos a idade que eu tinha no meu ‪#‎primeiroassedio‬ físico. Me lembro de estar sentadinha esperando meu ônibus e do homem me comer com os olhos e passar as mãos nas minhas pernas. Lembro do susto e do nojo e do medo; e mesmo hoje eu me perguntei se devia relatar isso como assédio, já que "foi só uma passada de mão, há tanta coisa pior", acostumadas que estamos a sofrer violência); numa época em que se fala em proibir "ideologia de gênero" e "ideologia política" nas escolas, é reconfortante ver feminismo no ENEM. Precisamos discutir gênero nas escolas, precisamos discutir feminismo.

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