Festas no campus são proíbidas, e ninguém sabe como elas acontecem.
Era quase uma da manhã e a portaria da universidade estava fechada. Ela baixou o vidro do carro, lamentando mentalmente o maldito batom 24h rosa-choque, que não saia de jeito nenhum. Péssima ideia!
- Boa noite, moço. - Disse ela.
- Boa noite. - Respondeu o guarda, simpático. Para onde você vai?
- Para a engenharia. - Respondeu.
- Preciso do seu RA.
Ela começou a dizer o número.
- O cartão...
- Ah, desculpa. - Ela entregou o cartão. Aluna de pós. Gente séria.
- Tá indo fazer o que lá?
- Tirar umas amostras...
- Tudo bem. Preciso só anotar a placa do seu carro. Pronto... Ele é que cor, mesmo?
- Ah, moço, tá tão sujo! Cinza? Prata? Grafite? Chumbo? Pra mim é tudo a mesma coisa...
- Ah, é diferente, chumbo é mais escuro. Ah... acho que é grafite. Desculpa a burocracia, mas é pra segurança de vocês, sabe?
- Sim, claro, entendo perfeitamente.
Ele terminou de anotar as coisas e entregou um cartão de visitante para ela.
- Bom trabalho! - Ele disse.
- Para você também! - Ela respondeu. E dirigiu rumo à engenharia, passou por cima de um canteiro porque uma rua estava bloqueada por cones, e estacionou o carro na frente da festa, para ser mais fácil descarregar os dez fardos de cerveja que estavam no porta-malas.
domingo, 6 de setembro de 2015
Portaria
Rabiscado por
Marina
às
22:06
Temática(s): Diálogos, Sobre a Ciência e a Academia
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