Trecho de um post de 2009, meu primeiro ano de Unicamp:
"Estudantes de engenharia mecânica, conversando à toa. Até:
- Qual o seu objetivo?
Ela não entendeu a pergunta.
- Objetivo. - Ele explicou. - O que você quer fazer quando acabar isso aqui.
- Ah. Eu quero me formar, arranjar um emprego, casar. E você?
- Eu quero ter um cachorro."
Não era eu a garota da conversa, mas rimos juntas quando ela me contou. Não por mal, mas pelo inusitado.
Cinco anos se passaram, e eu me vejo sendo o rapaz da história.
Há dois meses da minha formatura, o que eu mais queria, agora, era um cachorro.
(um emprego eu consegui e odiei. Decidi fazer mestrado. E para casar... eu preciso de um noivo. Antes, um namorado; antes, alguém que goste de mim; antes... gostar mais de mim mesma.)
(Minha psicóloga disse que tem pacientes com relacionamentos tão ruins que ela se pergunta porque essa pessoa não arranjou um cachorro)
Conversei com o pessoal da república onde moro e consegui autorização. Fui atrás de ongs que cuidam animais abandonados. Eu queria uma fêmea, filhote.
Depois de alguns problemas de percurso (uma moça que me prometeu o cachorro e deu pra outra pessoa. Uma feira de adoção que não existe mais. Uma feira que não estava acontecendo justo naquele dia. Falta de fé por parte da ong na minha capacidade de cuidar de um bichinho, já que moro em república), consegui!
Uma viralatinha de três meses, cor de terra suja.
Brainstorm nomes. Por um milésimo de segundo (o último livro que li foi "A insustentável Leveza do ser") pensei em Karenin; mas ninguém quer ser Tereza.
A cadelinha chamava Pepê.
- Se não puder mudar, vou chamar só de Pê. - Eu disse, no carro, indo buscá-la.
- De provisório, que nem o RA? - Perguntou meu amigo.
Ri.
Cor de terra suja. Pensei em cotia. Ela parece uma cotia.
Minha irmã disse para chamar de Dó. Por esta foto:
Antes, eu tinha pensado em Vivi. Por ser uma viviralata.
No fim, ela se chama Penélope Cotiana Vivi de Dó Weyl.
Mas podem chamar de Vivi.
(Me acordou andando em cima de mim hoje - não tenho cama, só um colchão no chão)
(Não me sinto mais sozinha)

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