sábado, 23 de março de 2013

Relato de viagem – Coréia com o namorado (Parte2)



Com um grande atraso devido à adaptação de volta de semestre, retomo minha narrativa da Coréia. E do namorado, que foi o motivo dessa história.

Clique aqui para ler a parte 1. Fico devendo ainda a parte 3, e talvez a 4 (meta: Páscoa). Vou intercalar com posts sobre outros assuntos.

Capítulo 3 – Reencontro

Enfim eu desembarquei, e encontrei o namorado. E a gente acha que o coração vai sambar na avenida, mas ele simplesmente ficou tranquilo. Como se não fizessem seis meses da despedida sofrida em Guarulhos; como se eu não tivesse ficado perdida a ponto de não saber o que iria comer; como se eu não tivesse passado três meses planejando em detalhes aquele reencontro. No tão esperado momento, o coração só achou tudo óbvio. Claro que a gente ia se reencontrar. A gente fica tão bem junto. O coração simplesmente achou que estava no lugar certo para se estar  e não viu nada demais nisso. Ficou confortável batendo junto no abraço bem comportado no meio daquele povo coreano tão discreto. O coração se mete nessas aventuras em lados opostos do mundo, mas na verdade tudo o que acredita é que amar é dividir travesseiro, sem drama.

Genuinamente feliz, sem ter que pensar a respeito. Feliz apenas, sem penas. Só feliz, e junto.

Troquei minha havaiana por botas de neve e coloquei o sobretudo. Namorado me emprestou luvas e tinha e levado um lanchinho que eu nem comi, mas que foi fofo (e sábio) de ter lembrado. E fomos juntos pegar metrô rumo a nosso hotel em Seul, abraçados na medida da educação e das malas e falando tudo ao mesmo tempo.


Capítulo 4 – Algumas observações da Coréia

No final da viagem, quando me perguntaram o que eu mais tinha gostado da Coréia, empaquei para responder. A pessoa esperava um lugar. Vi vários incríveis (que serão citados ao longo do texto), mas não foi o que mais gostei. Já disse, gosto mesmo é de gente. Então o que eu mais gostei  foi de observar as pessoas, ver as propagandas e as vitrines, experimentar as comidas, passear por aí. Para mim, o melhor da Coréia é a aventura diária de se estar em um país tão diferente. As descobertas.

- Me dê conselhos – Pedi ao namorado, ainda no metrô indo do aeroporto ao hotel. – Quero saber me comportar aqui.

Ele já tinha e dito para falar baixo no metrô, o que para mim, barulhenta que sou, é um desafio. Coreanos são um povo silencioso e imerso em seus próprios celulares.  Estranho estar em um vagão com tantas pessoas de olhos puxados. Nas outras viagens internacionais que fiz (EUA, Europa; como eu sou metida), se eu fizesse cara de quem sabia o que estava fazendo era até possível fingir que não era turista. Em Estocolmo até pediram informações em sueco pra minha irmã. Na Coréia, minha estrangeirice gritava, o que chegava a ser angustiante.

O namorado tinha dito também para nos comportarmos, que não se beija em público na Coréia (vi rápidos selinhos). Tinha dito que os casais se vestem com a mesma roupa – tênis, jeans justo, agasalho. E em lojas de lingerie tem conjuntos hilários de calcinha, sutiã e cueca. Mistérios culturais – como não ter um ataque de riso e conseguir levar adiante os amassos quando por baixo da calça o cara está com uma cueca de rosas, ou de oncinha. Fiquei também imaginando a despesa inicial que é uniformizar guarda-roupa, e o que se faz quando termina namoro. Verdade seja dita, vi poucos casais iguais dos pés da cabeça; mas peças individuais (tênis, agasalho) eram bem comuns.
 
O vestuário coreano é todo diferente. Eles usam óculos de aro grosso sem lente, apenas por achar bonito. Adoram meias – modelos coloridos, com diversas estampas, são vendidos em todo lugar; e vi mulher adulta com meia de cachorrinho e diversos rapazes com calças curtas e meias coloridas a ostra. Como evidenciado pelas cuecas berrantes, as fronteiras entre o vestuário masculino e feminino são bem mais tênues.
Mas essas foram considerações que fui fazendo ao longo da viagem. Voltemos ao início dela.

Depois de pensar um pouco, o namorado me disse no metrô que, como no Japão (uso o Japão de referência por ser o país oriental com cuja cultura creio que brasileiros em geral tenham mais contato) em alguns restaurantes se tira o sapato. Fica bem claro em quais se tira, há um degrau marcando e lugares para guardá-los. Por ser comum tirar sapatos, botas coreanas são fáceis de tirar. Nas que tem cadarço, o cadarço é falso, e há um zíper lateral. Praticidade é o que há. Ah, isso de tirar os sapatos também explica a fixação por meias.

O namorado também me deu ainda no metrô o sábio conselho de que molho vermelho nunca é de tomate, já que os coreanos são aficcionados por pimenta (ao longo da viagem, descobri também que olho branco nunca é queijo, e sim maionese). 

Outro hábito compartilhado com outros orientais é o comer de palitinho – na Coréia eles sem chamam algo como “tchucará” (com o perdão do meu modo de escrever, o Google não está me ajudando), e são finos (e não arredondados como os hashis japoneses) para permitir cortar. O namorado me lembrou que não se pode espetá-los na comida, pois há o simbolismo de morte. Além do “tchucará”, é utilizada uma colher de cabo comprido (comida coreana, quando não é caldo, vem com uma sopa extra).

Últimos conselhos de primeira viagem que recebi: sempre cumprimentar os vendedores ao se entrar em lojas, e sempre entregar dinheiro ou cartão com a mão direita, levando a esquerda debaixo do cotovelo. São bons modos.

Paramos para eu trocar meus dólares por wons (um dólar vale pouco mais de mIl wons), e depois no centro de Seul. Saímos do metrô com suas infinitas lojas e vi que outra coisa que o namorado contava era verdade: a Coréia é clara à noite. A iluminação pública é forte, mas o que mais chama atenção nas ruas são as fachadas com letreiros brilhantes e coloridos.

O país mais colorido do mundo, e tão colorido que a noite fica mais clara que o dia. Talvez porque as jornadas de trabalho sejam imensas (12h ou mais) e se aproveite mais a noite que o dia...
Encantei-me com aquelas luzes que eu não sabia ler. Ê mundo.

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