domingo, 10 de março de 2013

Bixos fazendo bixices



Primeira semana de aula. Quinto ano de engenharia mecânica. Disciplina eletiva logo depois do almoço: faltando quinze minutos para começar a aula havia uns cinco alunos na sala, mais pelo ar-condicionado do que por qualquer outro motivo. Três meninas conversando num canto, um rapaz no celular no outro, outro meio dormindo pelo meio. E eis que alguém abre a porta e pergunta:
- Posso entrar?
Depois de alguns segundos de silêncio sem entender a interrogação – quem, raios, pergunta se pode entrar na sala de aula? – uma das meninas diz que sim, pode entrar.
E entra um menino careca.
Bixo.
As três meninas continuam conversando, até que uma não resiste à curiosidade:
- Você é bixo do que?
- Engenharia mecânica.
- Que legal! – E começa a feliz conversa sobre apelidos e moradia.  E então a dúvida, que coisa esquisita aquele menino em uma sala de quinto ano:
- Você tem aula de que agora?
- Engenharia mecânica.
Não deu para não cair na risada. Que bom que estamos dando aula de engenharia mecânica para nossos bixos da engenharia mecânica!
- Tá, mas de que matéria?
- Aaah... Eu não sei, deixa eu ver.
E ele tirou do bolso um papel – um papel que a gente recebe logo que entra na Unicamp, com nossos horários e salas. Achei muito fofo, de verdade. Nostálgico.
Minha amiga, mais eficiente, foi ver junto.
- Ah, sua sala não é aqui. – Disse, educada.
- Não brinca! – Ele ficou arrasado.
- Sua sala é a 6. Essa é a 12.
- Aaaah...
- Mas é só descer a escada e você chega lá, tá cedo ainda.
- Puxa, obrigado!
E lá se foi o bixo mega sem jeito, enquanto a gente se perguntava se ao passar no vestibular a gente desaprende a identificar números e passa a confundir 6 com 12. Como culpá-lo? Passei um ano com mapa da Unicamp na bolsa, e cheguei a me perder no segundo semestre.
Quando contei para um amigo do meu ano o ocorrido, ele, 21 anos e cara de moleque, retrucou que tinha achado um menino perdido em um prédio que obviamente não deveria estar, e que o menino em questão tinha perguntado se ele era professor.
Fora a vez que me perguntaram onde fica a biblioteca da mecânica, que nem existe.
Ah, bixos...

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