Há uma semana meu avião pousava em São Paulo, e eu descia
com os pés muito inchados depois de mais de um dia viajando. Carregando o mundo
– duas sacolas e uma caixa; e um sobretudo e depois duas malas, e com os pés
suando nas botas de neve no verão. Coisas pesadas, leve o sorriso. E o coração
apertado, pedaço de novo arrancado depois que a gente acostuma tão rápido e bem
a ficar junto.
Foi tudo incrível. Vamos ver o quanto eu consigo contar...
(Por questões de espaço, do meu tempo de escrita e o tempo
de vocês de leitura, e o fato de eu ter achado que seria divertido, este post
será dividido em partes, e as partes e capítulos)
No avião...
Capítulo 1 – Preparativos
A viagem começou muito antes de começar, com cálculos de
despesa e viabilidade e quebra de cofrinho e pesquisas de preços de passagem e hotéis,
e definição de datas e seguro saúde e trocar dólares e fazer cartão de crédito
de viagem. Meses antes eu já tinha as passagens e as sementinhas de ansiedade;
e a pesquisa de hotéis envolveu cancelamentos e remarcações.
(Dica: pesquisar passagens com antecedência é fundamental.
Importante colocar na conta taxas de aeroporto e ver se os países de escala
precisam de visto, o que é um trabalho e despesa extra – isso me fez desistir
de ir pelos EUA ou Japão. Para hotéis, usamos o Agoda, que nos deu preços muito
bons para lugares muito legais – com exceção do último hotel, do qual falarei
depois)
Semanas antes comecei a pensar na mala.
- Traga uma pequena – Disse o namorado. – Fica mais fácil
pra gente viajar.
Como se fosse trivial assim levar uma mala pequena quando
faz um semestre que vocês não se veem, e é inverno. Pessoas pequenas e magras
são mais felizes pelo espaço que ocupam seus pertences.
Descobri a definição de amor:
Amar é cruzar o mundo levando uma mala pequena, e dentro da
mala ter encomendas: dois lençóis, uma garrafa de cachaça, quatro desodorantes,
duas pastas de dente, muita bananada (em Belém a gente chama de doce de banana,
lá bananada é outra coisa) e goiabada, um livro, uma calça, um par de
havaianas, dois vidros de palmito e uma camiseta. Amar é passar quinze dias com
a mesma calça de frio (até levei uma jeans, mas o clima não permitiu), bota e
sobretudo.
E quem se importa com roupas?
Capítulo 2 – Viagem
E quem se importa com roupas? Achei por bem meu namorado não
se importar, porque, dica: a viagem longa pedia as roupas mais confortáveis possíveis.
O que no meu caso quer dizer minha calça rosa estampada folgada de malha, velha
companheira de guerra (depois que a comprei, reparei que na etiqueta constava “futura
mamãe”. Acho que isso dá uma ideia da calça); havainas e uma regata, e um
blusão de moleton para caso desse frio no avião.
Sábia decisão.
A viagem foi composta de dois trechos: São Paulo – Dubai e
Dubai – Coréia. Para ser muito honesta, as mudanças de fuso faz com que até
agora eu não tenha certeza de quanto tempo cada uma delas durou. Acho que cerca
de 10h a primeira, e 13h a segunda. O intervalo entre elas foi de 6h. Eu, como de costume, dormi a maior parte de
ambas (não me pergunte de onde tiro tanto sono). Sei que passei ao todo umas 6h
acordada porque com aquelas infinitas opções de entretenimento assisti dois
filmes (um em cada trecho, ambos aos pedaços porque eu dormia no meio) e comi,
mas de resto...
Em Dubai me diverti no free-shop gigantesco (dica: os
produtos são ais baratos nele do que no duty free brazuca. Mas não entram como
duty free na hora de declarar), batendo fotos de placas escritas em árabe. Comprei chocolate de leite de camela
(estranho), fiquei me perguntando se tudo bem eu andar de regata entre aquelas
mulheres de lenço e até burca. Bati algumas
fotos divertidas:
Quanto mais idiomas que eu não entendo, melhor!
Tang? Kinderovo? Alguém?
Que eu saiba, único escritos brasileiro internacionalmente conhecido...
McDonalds, super saúde!
No segundo trecho da viagem a comida já ganhou ares
orientais (o primeiro foi bem ocidental), com noodles no café da manhã e hashis. E molho
de pimenta para colocar junto – comida coreana é extremamente apimentada,
voltarei ao assunto depois. Experimentei kimchi, o tradicional prato coreano presente em todas
as refeições. São vegetais (tradicionalmente acelga) fermentados e apimentados
(o qual fermentado e apimentado muda de acordo com o envelhecimento, e tem quem
goste mais novo ou mais envelhecido). O namorado não curte, mas eu gostei
bastante. Lembra picles, mas com pimenta.
O melhor do segundo trecho foi o avião. A380, gigantesco. E vazio.
Só eu na minha fileira. Vim deitada.
Pequeno ataque de pânico quando passaram os papeis de
alfândega para a gente preencher. Na Coréia
você só pode entrar com um vidro de 50ml de perfume! E eu estava com dois
vidros de 100ml, em sacolinha do free shop de Dubai. Pqp. Pagar imposto sendo
gringa? Declarei, irritada.
Com tudo isso de sono, cheguei rápido do outro lado do
mundo. Desembarquei. Passei pela
imigração rápido, tudo muito tranquilo. Muito ansiosa por reencontrar o
namorado, trocamos mensagens assim que meu ipod pegou wifi no aeroporto. Peguei
minha mochila e minha malinha, passei pela alfândega e não me cobraram nada
pelos perfumes. Saí pelo desembarque, e lá estava ele. Lindo e sorridente, me
esperando.
- Oi, namorado.
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