domingo, 13 de fevereiro de 2011

Pelada

Sexta-feira sorteamos na minha aula de public speaking (oratória) a ordem dos nossos segundos speechs (discursos), que serão segunda, quarta ou sexta da semana que começa amanhã. Claro que eu peguei o número 3. E, como ninguém pegou o número 1, serei a segunda. Ai.
A partir de agora teremos um dress code (código de vestimenta).
- Como é? - Perguntei a meu professor.
- Simples. Nada de jeans, camisetas ou roupas justas.
Putz.
Revisão mental de todas as roupas que tenho aqui em Fargo.
É. Apenas jeans, camisetas e roupas justas. E casacos gigantes e moletons.
Sabe, esse é um dos motivos pelo qual as pessoas vivem achando que eu tenho menos do que meus 22 anos. Porque eu me visto como uma moleca.
Ok. Havia 3 soluções possíveis para o problema:
1 - Deixar quieto e perder os pontos de vestimenta, que nem são muitos mesmo;
2 - Pedir roupas emprestadas. Uma das minhas roomates parece ter quadris do tamanho dos meus...
3 - Ir às compras.
Claro que escolhi a número 3. Porque, apesar de me vestir como um moleca, eu adoro roupas. Tenho milhares das minhas camisetas estampadas e coloridas.
Logo que cheguei a Fargo usando o casaco do meu pai e botas de soldado, uma amiga do meu pai me levou para comprar roupas quentinhas. Primeiro ao shopping, e shoppings são iguais em qualquer lugar do mundo (na verdade, o de Fargo é pequenininho). E depois ao Savers.
O que é o Savers?
Um dos lugares dos meus sonhos. Um brechó gigante que doa parte dos lucros para caridade e vende roupas absurdamente baratas. Com menos de 40 dolares comprei dois casacões de frio, um suéter, dois gorros, cachecol e luvas.
Aí hoje descobri o caminho do ônibus e fui lá atrás das minhas roupas de mulher crescida.
Uau.
Foram três horas escolhendo e experimentando muitas coisas que não eram o que eu estava procurando. Como eu me diverti.
E uma das coisas que vi foi um sobretudo preto. Lindo. Corte perfeito, acinturado gola em v. Botões bonitos. Exatamente do meu tamanho, eu fiquei maravilhosa nele.
Mais como era pesado!
Eu estava diante do espelho quando me deu o estalo: "isso é pele de verdade?"
Era.
Meu Deus.
Mulheres contra casacos de pele nunca experimentaram um. Como eu estava bonita lá dentro!
Ai.
Eu sou uma onívora convícta. Mas casaco de pele? Matar bichinhos para fazer roupa? Não é necessário...
(Vegetarianos argumentariam que comer carne também não. Mas para mim é o ciclo da vida, biologia...)
Eu uso couro...
Mas pele? Ah, parece tão errado usar pele! Eu nunca me informei direito, nunca refleti a respeito; me criei nos trópicos, para que eu ia querer um casaco de pele?
Estava tão elegante. Tão mulher.
E estava tão barato!!!
Não.
Não preciso de um casaco de pele. Não tenho opnião formada, não quero me arrepender. Eu já mato bichinhos demais.
(Sem falar que não posso simplesmente jogá-lo na máquina de lavar...)
Deixei o casaco e fui.
Refletir sobre consumismo destrói a consciência da gente.

PS: Comprei minhas roupas de mulher adulta. No plural; vão ter outras apresentações... E eu estava tão tão lá dentro! E comprei outras coisinhas também...

PS2: As calças jeans estavam em promoção e resolvi experimentá-las. Mais uma vez eu não fazia ideia do meu número americano (tinha visto na minha agenda, mas ele estava errado para sapatos, daí achei que estivesse para calças também), então simplesmente escolhi no olhômetro. Qual não foi a minha surpresa ao chegar no provador e ver que tinha pego calças maiores do que eu! Eu me vejo maior do que realmente sou? Ou simplesmente não estou acostumada a pegar um tamanho intermediário, em vez de o maior da loja? Americanos vendem roupas enormes...

Um comentário:

Anônimo disse...

te acompanhando por aqui.So para te dar um oi. Beijos e saudades
Irene