domingo, 22 de setembro de 2019

Ainda sobre o embate da coragem contra a perfeição

Aquele poema era para ser um texto longo, mas ultimamente a academia tem me feito só me sentir livre para escrever se for poesia.

(Se não, me faltam dados e fontes e tempo de pesquisa e diploma e um pinto cis)

(Não devolvo nada para a sociedade, privilegiada encastelada, gente pelada, maconha e balbúrdia)

(-quisera eu-)

(Um poema publicado na internet, onde ninguém irá ler. Um poema sem revisores ou comentaristas de portal ou "amigos" fascistas de rede social)

Lembro de alguém que me disse que os problemas eram bolinhas, e era importante sabermos quais seus limites. Porque se não eles se misturam e sobrepõe e tudo fica embolado. Precisamos delimitar e diminuir as bolinhas.

Então quero ainda deixar registradas minhas observações sobre a academia, mais especificamente sobre a engenharia:


A rotina de provas e prêmios ditos meritocráticos¹ faz com que as pessoas² tenham muito medo de fracassar, e encarem como fracassos processos comuns do aprendizado, leia-se: ouvir críticas. Também cria alguns dos "monstros" da academia; professores sem empatia nenhuma que, por "terem sofrido e superado adversidades" acham que o processo pedagógico deve ser construído sobre humilhação e assédio. Cria-se então uma via de mão dupla: por um lado, jovens com medo de serem criticados; por outro, profissionais que não sabem criticar de maneira construtiva. Isso é extremamente danoso não apenas para as relações sociais (que, na minha opinião, deveriam ser prioritárias, sempre), mas também para a própria tecnologia.
A ciência e as invenções se constroem através de processos na maior parte das vezes incrementais, onde cada pessoa constrói sobre o que já foi previamente construído; e os erros pavimentam caminho para os acertos. Estar disposto a desenvolver algo novo envolve muito mais erros do que acertos, e dialogar acertadamente com estes erros é o que faz com que o novo avance. Por isso as críticas a trabalhos deveriam ser feitas de maneira mais empática, sem desqualificar totalmente o trabalho e sem atingir pessoalmente o autor do trabalho. Por isso as críticas deveriam ser melhor recebidas para o trabalho ser melhorado; e não tomadas como pessoais quando não o são (e nunca deveriam ser).
Recusas, não aceites e eliminações em processos seletivos também não são desqualificações, e sim aprendizados.

- - - - - - - - - -

¹ Meritocracia só poderia existir se todos partissem do mesmo ponto, mas não partem. Há uma série de fatores que impedem as pessoas "de se esforçarem" (como ter que trabalhar, seja o trabalho remunerado ou doméstico/de cuidado - cuidar de filhos, familiares doentes, etc). 

²As pessoas, no caso, somos eu e meus amigos. Isso aqui não é uma pesquisa científica, é um relato de caso.

Nenhum comentário: