segunda-feira, 25 de março de 2019

Sobre a morte - parte 2

Ele me disse que nunca antes havia se dado conta do quanto a imagem que tinha de Deus era a imagem do pai. Não um Deus-pai genérico, mas seu próprio pai, carne e osso; agora morto. Morreu o pai, morreu Deus; e ele está para sempre orfão de toda a moral. Disse que percebeu que muitos querem ter filhos para provar que os pais estavam errados; e assim criamos novas crianças e erros.

Nos primeiros dias me vesti de muralha de pedra e as lágrimas dele me atingiam como maré de lua cheia. Eu protegi a cidade. Ontem fraquejei e chorei tão alto; era domingo e todos molharam os pés. Assim aprendemos de novo e de novo a respeitar a natureza das dores.

Na cidade alagada, fomos ver o por-do-sol e pedimos uma pizza para o jantar.

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