Cheguei na cantina da faculdade cedo. Comprei quatro garrafinhas de água mineral.
- Boa sorte! - Disse o atendente ao me entregar as garrafas. Achei aquilo de uma simpatia! Eu não tinha falado que era dia de defesa, mas estava estampado: dezembro, roupa social, garrafa d'água e batom.
(Foi quando fiz intercâmbio que aprendi com uma moça coreana a importância de se sentir bonita em dias puxados; lá estava eu na minha armadura de guerra.)
Ao fim do dia, os sapatos me machucaram os pés.
A defesa foi tranquila até, eu achei. Talvez porque eu mesma tenha tantos questionamentos em relação a meu trabalho que nenhuma crítica dura externa possa ser pior. Talvez porque eu finalmente esteja aprendendo a lidar com críticas; é um trabalho e não a minha alma ou mãe.
"Obrigada por pontuar isso"
"Não sei, mas posso aprender"
"Estou estudando isso ainda"
"Obrigada, vou ver"
E um sorriso, porque eu só saio dessa universidade doutora e por isso agradeço todas as críticas com um sorriso. Brinco que meus bônus são insistência e cara dura; se teve uma coisa que eu aprendi na engenharia foi insistência e cara dura.
Um professor levantou a importância de fazer a contextualização socioambiental, e fiquei feliz por isso.
Elogiaram-me franqueza ao menos; e um rapaz do lab me passou algum material depois. As pessoas são muito gentis aqui.
Eu tinha decidido almoçar na feirinha para comemorar, mas a bolsa só ia cair dois dias depois. Daí fiquei sabendo que era o dia do melhor cardápio do ano no RU:
- Strogonoff de camarão pra todo mundo por minha conta!
A funcionária olhou 3 vezes a minha carteirinha para acreditar que eu sou estudante mesmo; e eu fiquei pensando que naquele dia eu estava feliz por ser.
sexta-feira, 7 de dezembro de 2018
Qualificação
Rabiscado por
Marina
às
10:46
Temática(s): Sobre a Ciência e a Academia
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