Encarei-o. Esperava um menino - quando penso em Medo, penso em uma criança e fantasmas; mas crianças tem bem menos fantasmas do que nós. Não deveria ter sido uma surpresa. O Medo é um velho com rugas profundas como precipícios; e em cada uma delas tem uma sabedoria que pode ou não provir de estatelar-se no fracasso.
O nariz do Medo é grande como uma mentira ou a intromissão ou a velhice.
Sorriu-me, e usava a dentadura do meu avô - aquela que ele tirava para me assustar, numa travessura que hoje apenas me dá saudades.
Abracei-o. Estava muito, muito frio. Meus olhos se cobriram de azul, e então eu soube que o importante era o abraço, e não o precipício. E pulamos.
terça-feira, 10 de julho de 2018
Medo
Rabiscado por
Marina
às
15:50
Temática(s): Eu sinto muito
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