Foram três meses e meio, umas cinco vontades de fazer uma mochila e colocar minha cachorra no carro e ir embora sabe-se lá pra onde, umas sete crises de choro de soluçar, uns dois finais de semana deitada inerte na cama, duas provas bem ruins que me deram a certeza de que eu não precisaria desistir porque seria o programa que desistiria de mim, quatro sessões de terapia com uma psicóloga que falava mais do que eu e parecia ler listas do buzzfeed ao me dar sugestões de como melhorar meu humor, uma música criada para ser minha própria trilha sonora do fracasso, umas três panelas de brigadeiro e latinhas de cerveja e mensagens lamurientas a perder de conta.
E de repente a ilha fez sua magia.
Chove dias inteiros, e eu não gosto do céu assim cinza. É sábado e estou no laboratório e não na praia.
Mas... eu quero estar aqui.
Estou em casa. Não pertenço à Floripa, não pertenço a lugar nenhum - poliamor geográfico. Mas tenho um teto que escolhi.
E de repente eu sobrevivi ao primeiro bimestre do doutorado sem ser cortada do programa. Acho que estou pegando o jeito. Por mais que me irritem esses ritos, decidi: só saio daqui com esse título.
E de repente eu passo longos minutos batendo papo furado no café do laboratório.
E de repente meu carro pifou quando eu estava subindo uma ladeira sozinha de madrugada na chuva, e eu só estacionei-o e pensei que não vale a pena sofrer por problemas quando não temos como resolvê-los e fui pra casa dormir. Resolvi no dia seguinte e isso quase vira uma história-sem-graça, e não motivo de caos.
(É um pixo da UFSC, "o caos habita em vós". Estou aprendendo a controlar meu caos.)
E de repente me chamam pra trilha, passeio, bar, jantar.
segunda-feira, 29 de maio de 2017
Lar, doce lar
Lar é onde eu tenho quem chamar para beber na sexta e onde a minha cachorra, meus diários e minha louça suja estão.
Estou em casa. Não quero mais fugir.
Rabiscado por
Marina
às
18:00
Temática(s): Eu sinto muito, Sobre a Ciência e a Academia
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