Esperavam que eu fosse feliz como um vaso de flores. Fracassei. Ensinaram-me então a ser engrenagem, e acatei. Girava em volta de mim mesma e me alegrava, volta após volta, fazendo funcionar sabe-se lá o quê; uma máquina com barulho estranho e cheiro de combustível queimado. Percebi que a máquina era inútil. Eu era inútil. Mas girava. Quis me rebelar. Arranquei-me uns dentes, sempre elogiaram-me os dentes! Mas ainda girava e sorria, sorriso de rede social e da alegria que me foi ensinada, outra volta, girava. A máquina funciona sem mim; a máquina nunca funcionou, mas está ligada; e quem não é peça é bug e é esmagado, e quem é peça gira e gira. Meu estômago está embrulhado, quero sair do eixo dessas revoluções ensaiadas; estou tonta; estou livre; estou vomitando desdentada; eu girava.
domingo, 9 de outubro de 2016
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