Eu tenho vergonha de revirar esse blog, porque surgem uns textos que me dão arrepio. E olha que comecei ele aos 19 - em tese, muito em tese, eu nem era mais adolescente.
Tem texto contra vegetariano, tem texto contra cota, tem texto reproduzindo machismo, tem de tudo, show de horrores diante do que hoje eu acredito.
A parte boa é que acho que hoje sou uma pessoa melhor. E isso me serve como um excelente tapa na cara quando eu começo a virar uma daquelas pessoas que meu eu-conservador tanto detestava - a moça encastelada no seu mundinho de ideias que não consegue conversar com quem pensa diferente.
Conversar com quem pensa igual é bom pra fortalecer o discurso e serve de ponto de apoio. Mas não muda o mundo. Conversar com quem pensa diferente muda o mundo. Conversar de verdade, não tentando catequizar, não ouvindo crítica como xingamento, não apelando pra argumento de meme.
E, deus, como isso é difícil.
Meu pai me disse que em política a gente faz adversários, não inimigos. É uma frase que eu tento levar pra vida.
Fico tão orgulhosa quando dizem que sou simpática e extrovertida. As pessoas não tem ideia do quanto eu tremo e ando de um lado pro outro em casa antes de conseguir tomar algumas atitudes que parecem tão naturais e simples. Não são. Eu sou tímida e morro de medo de reprovação. E já chorei muito em banheiro.
Tenho discutido muito feminismo - com rapazes todos a ouvidos, com rapazes nada a ouvidos, com moças feministas de diversas abordagens, com moças não feministas. E cada vez mais eu percebo a importância da militância amorzinho - aquela que senta do lado, pega na mão e explica, bem devagarinho, o ponto de vista. Devo muito a pessoas que foram militantes amorzinhos comigo, especialmente em situações em que eu era a opressora. Eu já fiz muita pergunta babaca nessa vida, e continuo fazendo.
Daí esse post é uma auto-crítica e um lembrete. Marina, tem hora de gritar e tem hora de abraçar.
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