quinta-feira, 26 de novembro de 2015

#meuamigosecreto

Sou entusiasta de militância virtual. Não substitui a presencial de modo algum; mas atinge mais pessoas, e mais rápido. Não minto quando digo que um dos principais motivos de manter meu facebook é ler os textos compartilhados por meus amigos. Devo muito a eles; e acho que compensam o sofrimento das fotos na praia quando estou enfurnada na minha sala.
Ainda assim, demorei para tomar coragem de escrever sobre #meuamigosecreto.
Primeiro porque acho que minha dor é menor. E, de fato, há histórias muito mais horríveis, que quase me levaram às lágrimas (isso não é uma figura de linguagem); mas acho que considerar que nosso sofrimento é inexistente é justamente o silenciamento promovido pelo machismo.
Depois porque não queria mexer nisso. Mas mexi.


O primeiro amigo secreto de quem falei me pediu desculpas quando o fato ocorreu; e eu aceitei, porque acredito que as pessoas querem ser melhores. Não falou mais comigo. Mas não sei se já falou com a companheira, ou se está fazendo com outras minas o que fez comigo. E, embora em tese isso não me diga respeito, na prática me diz, sim. Porque existe uma estrutura de poder. Porque eu me senti culpada por ter ficado com um cara comprometido, apesar de ser ele a pessoa que tem um compromisso. Porque eu penso que eu poderia ser a companheira dele, sendo traída por alguém com discurso feminista. Porque ele não deve ser o único feministo a fazer esse tipo de coisa; porque devem existir muitas minas na minha posição e na posição da companheira dele. E nós não estamos fazendo nada de errado. E expor o ocorrido me ajuda a entender isso. O lembrete que não sou louca, e que não estou sozinha.


O segundo amigo secreto reapareceu na minha vida depois de uma década só para me ajudar a me lembrar do porquê ficar solteira é legal. Lembrei dele ao ver outra mina compartilhando coisas sobre ex-namorado bizarro. Meu choque foi ele ter vindo falar comigo depois da postagem, no que talvez tenha sido a conversa mais bizarra do ano.



Fiquei tão chocada que nem respondi. Acho que está claro que essa conversa está errada em tantos níveis que eu nem sei por onde começar. Mas tinha decidido que iria virar militante amorzinho com quem não fosse babaca de propósito; então aqui nesse blog eu vou explicar:

1- Vivemos em uma sociedade permeada por várias opressões. Muitas coisas tidas como neutras ou naturais são opressoras.

2- Por vivermos em uma sociedade opressora, reproduzimos comportamentos opressores sem nos aperceber. Mas cabe a nós decidir se vamos continuar reproduzindo.

3- Quando alguém te aponta um comportamento opressor, embora o reflexo seja dizer "você entendeu errado" e argumentar, a melhor atitude é baixar a cabeça, pedir desculpas e ouvir. Apenas.

4- Não questione a vítima.

5- Não ria da vítima. Não tem graça.

6- Mulheres não estão no mundo para enfeitá-lo. Você pode achar que "linda" e "gostosa" são elogios, mas em muitos casos eles são assédio. O que faz você pensar que eu quero que você avalie a minha aparência?

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