quinta-feira, 23 de julho de 2015

Eu volteeeeei....

Foi um semestre bem complicado.
Foi longo. Teve momentos ótimos. E crises de choro, também.
Teve o dia em que eu me olhei no espelho e me dei conta que tenho 27 anos e nada de concreto na vida. Há dez anos atrás, eu era uma adolescente nerdinha encarando pela primeira vez o vestibular com olhos de "posso ser o que eu quiser, mas não faço ideia de que bosta seja isso". Dez anos se passaram e "o que eu quiser" já foi tanta coisa! E ao mesmo tempo ainda é uma abstração.
Houve nesses anos todos também o choque de realidade, é claro. Como naquele texto sobre a geração y descobrindo que não é especial, afinal. E a realização de quantos privilégios eu tenho, e o medo de no fim mesmo assim não fazer nada que valha a pena.
Já quis tanta coisa, já fiz tanta coisa, já fui tanta coisa, e ainda não sou efetivamente algo. O futuro continua no final do arco-íris; mas o arco-íris muitas vezes é cinza. Foi um semestre bem complicado, e em muitos momentos o arco-íris mais pareceu um muro estreito de asfalto; e eu tenho medo de altura e de esfolar meu nariz no chão.
E tudo pareceu tão sem sentido. Tanto tempo gasto em coisas que no fim não acrescentam nada a ninguém. Mestrado? Sem sentido. Blog? Pff!
Caramba, eu escrevo aqui há oito anos! E de repente eu me assustei ao encarar todas as Marinas tão expostas pra quem quiser ver. Toda a estupidez que já disse. E pra que isso? Pra que eu escrevo?
Aí me deu vergonha. Volta e meia dá vergonha, sempre. Mas me deu mais vergonha do que costumava dar. E aí decidi tirar o Riscos do ar.
Tchau, Riscos.
O problema é que senti saudades. De postar. Por que? Porque eu gosto. Simples assim.
Daí eu me dei conta: o tal "o que eu quiser" ainda tem muito de abstração. Mas o objetivo não é o pote de ouro, é fazer do caminho arco-íris (alguns meses escrevendo pouco, e meu texto parece mais uma música da Xuxa, eu sei). E escrever é uma coisa que sempre deu cor a minha vida. Nesse bloguinho azul cheio de mimimis e foras e sonhos. Em textos sobre nada, em textos sobre coisas que muitas pessoas já escreveram melhor do que eu; em alguns textos dos quais realmente me orgulho no meio de outros que me fazem corar. Escrever é um exercício, e aqui eu tenho onde praticar. Pensei em repaginar o Riscos, mas desisti. Mais por preguiça do que por qualquer outro motivo, assumo. Mas estou muito feliz de estar de volta :)

PS: Nesse período de blog fora do ar, criei outro, o Talvez Fosse Amor. Basicamente eu pensava em separar meus textos por temas, e como sempre falei bastante de relacionamentos, achei que seria bom guardar todos assim em um cantinho deles. No fim foi bastante terapêutico reler vários textos que na época em que vivi foram intensos demais para serem postados aqui, e que agora são lembranças (quase) inofensivas. Pretendo continuar mantendo esse blog, também. No mesmo ritmo do Riscos: postando quando dá vontade.

PS2: Nesse período, também li o livro "Hiperbole and Half", de um blog americano, e conheci os vídeos da Jout Jout. Devo dizer que essas duas descobertas foram fundamentais para me lembrar que as coisas não precisam de motivos além de nos fazerem felizes... e que ainda assim podem dar certo de maneiras inesperadas.

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