Meu amigo para mim:
- Posso fazer uma pergunta?
- Vá em frente.
- Você acha que as maioria dos comerciais de produto de limpeza é machista?
- Acho.
- Mas e o cara do Bombril?
- Ele nunca limpa nada, fica só sendo patrão.
- A Ivete também não. Ele só apresenta, que nem ela.
- Hm... Não tinha pensado nisso. Certo, essas propagandas do bombril talvez não sejam machistas. Mas o problema é falar como se só mulher limpasse casa. Tipo, é sempre a mulher sofrendo esfregando chão, aí vem um produto tal e ela ganha mais tempo pra pintar as unhas enquanto a sua casa cheira a rosas. Aí não, né? Olha, eu adoro a minha casa limpinha e cheirosa, mas, se eu eventualmente me casar, vou querer que o maridão limpe a casa também.
Nisso outro amigo me olha feio:
- "Eventualmente"? Marina, você tá proibida de falar esse tipo de coisa.
- Ué, eu não sei se eu vou casar um dia. Eu gostaria que acontecesse, mas pode não acontecer. To com 27 anos e solteira, e não depende de mim. Não to aceitando qualquer coisa também.
O primeiro amigo:
- Vocês feministas, ou feminazis, não são muito exigentes, não?
- Cara, não fala feminazi. É horrível. Sério. Mas olha... Tem coisas das quais eu não abro mão, ponto. E se isso implicar em ficar solteira, paciência...
- Já vi menina brigando com cara porque as coisas de uma amiga tinham caído no chão e o cara juntou e a menina brigou com ele e disse que a amiga tinha capacidade de fazer isso também.
- Ok, isso foi exagerado. Mas veja bem, tem dia em que a gente escuta tanta merda que acaba explodindo. Confesso que eu mesma já dei piti e depois fiquei com vergonha porque não precisava. E certo, gente chata existe em qualquer lugar do mundo, inclusive no feminismo. Mas no geral o que a gente pede é o mínimo, cara...
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