terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Ano novo, vida...

Primeira segunda-feira do ano.
Ele dirigia. Tinha cinquenta anos exatos, camisa social e barriga de homem de respeito. A esposa no banco do lado. Ela tinha feito redução de estômago e mentia a idade para baixo, mas a menina mais velha, também no carro, já estava com 21. E tinha sido obesa até o início da adolescência, quando mudara para o grupo das apenas gordinhas. A menina caçula, magra de ruim mas também de esforçada, tinha uma identidade falsa para entrar em festa e completava o quarteto ali.
As duas filhas estavam usando tênis e lycra - ou algum outro tecido colado cujo nome desconheço. Primeiro dia acordando cedo depois das festas de final de ano, arrumadas para suar e já psicologicamente mais magras apenas pelo heroico ato de levantar da cama e não comer doces no café da manhã. O pai ria:
- Deve ter mais gente indo para academia arrependido hoje do que para igreja depois do carnaval...
Ao que a mais velha retruca:
- Pelo menos Deus é piedoso, você se confessa e ele perdoa! Já para tirar isso das minhas coxas...

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