sábado, 22 de agosto de 2009

Regresso

Bem que a minha mãe tinha me dito que ia estar parecendo um filme de terror.
Estava.
Logo que abri a porta achei que não; aí me aproximei da parede. As teias de aranha. E o chão com terra marrom como se alguém tivesse pego um vaso enorme e uma pazinha.
Fantasmas das férias. Sujeira não tira férias. E tem geração espontânea, aposto que a ciência comprova.
Do dia em que eu lavei a kit e o banheiro às quatro da madrugada com um sorriso enorme no rosto, porque acabara de ver na internet que conseguira fechar a matéria com o cinco mais feliz da minha vida e não precisaria adiar minha volta para casa, havia passado mais de mês. Tempo suficiente para insetos desabrigados chamarem meu teto em Campinas de pátria, e a terra, ó terra!, multiplicar-se feito milagre. Exceto pela parte em que era uma praga.
Foi tirar o sapato e catar a vassoura e o pano. Lambida. Viagem longa de avião quebra a gente, e como.
E para complicar um pouco as coisas, a roomie está com o braço na tipóia. Chega a ser até engraçado, aquela menina miúda respondendo:
- Caí de moto.
Mais de uma vez perguntaram se ela era mesmo que estava dirigindo. Era, ora bolas!
Acaba que eu me rendi. Era muita sujeira para uma só. Chamamos uma diarista. O nome dela era Glória, e foi exatamente o que ela foi. Limpou coisas que nunca tinham me ocorrido que poderiam ficar sujas.
A luz venceu as trevas e meu chão brilha.

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