segunda-feira, 1 de junho de 2009

Aprendi...

E olhem só como eu ando importante: já vieram reclamar comigo que está blodega anda abandonada. Juro que penso nela quase sempre e tento manter a regularidade de um post por semana ao menos; mas tem vezes que as mãos dançam sobre o teclado e eu jogo iscas tentando pescar uma ideia razoavel; e tudo o que emergem são piadas ruins e versos tristes; e cá entre nós isto aqui estava meio down. Tentei escrever até sobre não saber sobre escrever, mas esse é um clichê mega chato. Aí neste final de semana passei uma noite num hotel da rede Hotelaria Brasil, e no papelzinho da bandeja sob o prato havia várias frases do gênero "aos x anos aprendi que...". E foi daí que este post nasceu.
.
.
.
.
Antes de meu tempo ser chamado de anos, aprendi que existia um mundo, claro-escuro e cores; e um cheiro leitoso de família e um antebraço onde eu cabia.
Ao 1 ano, aprendi que minhas pernas podiam me levar pra passear.
Aos 2 anos, aprendi que fingir que ia me jogar no chão quando irritada não era esperto se meus pais não se dispusessem a me juntar.
Aos 3 anos, aprendi que por mais que eu gostasse das joaninhas que meu pais capturavam para eu guardar em caixinhas de palitos de fósforo, as outras crianças da escola e a professora podiam não compartilhar a minha opnião.
Aos 4 anos, aprendi que irmãs vem da fábrica pequenininhas e berram alto.
Aos 5 anos, aprendi meus primeiros rabiscos de futuros amores, palavras.
Aos 6 anos, descobri que havia um lugar longe que minha família agora chamava de casa, e que nesse lugar meus erres eram esquisitos e meus primos, muitos.
Aos 7 anos, aprendi que é chato ser uma criança alta quando seus amigos pulam para alcançar a escada que você toca sem nem ficar na ponta dos pés.
Aos 8 anos, aprendi que aquilo ardido que vem no salame é pimenta, e que meus pais não acham uma ideia tão engraçada eu dar isso para a minha irmãzinha comer.
Aos 9 anos, aprendi que cachorros são fofos e muito divertidos, mas roem mãos de barbies e fazem cocô no tapete.
Aos 10 anos, aprendi que problemas de visão são transmitidos geneticamente e que óculos seriam meus companheiros pra toda a vida.
Aos 11 anos, aprendi que começar a usar fichário e ir para a escola de calça jeans faz você se sentir muito importante.
Aos 12 anos, aprendi que comida tem calorias e que eu tenho sempre que fazer exercícios, mas que a puberdade dá uma ajuda e tanto para uma criança obesa virar uma adolescente gordinha.
Aos 13 anos, aprendi que a morte não existe apenas em filme, e que meus pais também choram.
Aos 14 anos, aprendi que primeiros beijos deveriam significar mais que lábios e saliva.
Aos 15 anos, aprendi que todo mundo sabe resolver os problemas, mas que ninguém está disposto a fazer nada; porém sempre saberão apontar os erros que os outros cometeram. E que você descobre o quão amigos são seus amigos quando a molecagem dá errado e nem todos dizem que estavam lá com você.
Aos 16 anos, aprendi que namorar por namorar é desgastante e não compensa. Mas que amor à primeira vista existe sim; e que fossa destrói, porém o amor pode sim dar maravilhosamente certo.
Aos 17 anos, aprendi que quanto mais oportunidades você tem, mais difícil é fazer as escolhas.
Aos 18 anos, aprendi que retrovisores de carros atraem colunas quando você acabou de tirar sua carteira de motorista.
Aos 19 anos, aprendi que lidar com gente é a coisa mais difícil que existe, e que muitas vezes as pessoas com que a gente briga foram mal treinadas e só estavam cumprindo ordens.
Aos 20 anos, aprendi que certezas são passageiras e é melhor recomeçar do que se conformar, mas que recomeçar pode ser extremamente cansativo e doloroso.
Aos 21 anos... estou aprendendo ainda.

Nenhum comentário: