domingo, 11 de agosto de 2013

Domingo

- Sua família dava um livro - Ele me disse.
Só porque a gente já não se falava há algum tempo, e eu contei só por contar as novidades lá "de casa": uma das minhas primas largou a UNB para "virar hippie", e está viajando o Brasil fazendo malabares. A outra continua cursando direito, em um relacionamento aberto com um cara de Israel que luta krav maga (o próximo encontro será na Tailândia). A terceira conheceu on-line num site espiritualista um cara de São Paulo que se mudou para o interior do Pará para morar com ela, vendendo biscoitos. A linda irmãzinha está em busca de si mesma. E então eu me dou conta que pode até ser genético, então nem é assim tão culpa minha ter esses parafusos a menos, e estar chorando em uma mesa de restaurante em pleno dia dos pais, contando detalhes do meu coração partido para o grande amigo, que, ok, é meu ex-namorado também. E ele me consolou e me fez me sentir mais gente - gente tem medo, gente se sente perdida, gente surta, gente fala o que não devia - e foi comigo no supermercado comprar leite condensado para fazer brigadeiro. Amizade e açúcar; e depois em casa eu só passei uma meia hora enrolada na cama com pena de mim mesma no escuro.

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