sexta-feira, 27 de agosto de 2010

No elevador

Final de semana passado mamãe estava em Sampa, e lá fui eu pegar minha dose de colo.
Ela me disse que já tinha me registrado no hotel, então quando cheguei - depois de uma carona, quatro estações de metrô e uma parada estratégica para pedir informação - tudo o que fiz foi dar nome e documento na recepção e ir rumo ao elevador, achando que a encontraria no quarto.
Elevador já no térreo, entramos nele eu e mais alguém. A recepcionista tinha me explicado que tinha que colocar o cartão para apertar o botão, e foi o que eu fui fazer; mas a luzinha do andar não acendeu...
- Tem que apertar de um jeito certo - disse o mais alguém no elevador, pela voz uma mulher.
Ela foi mostrar o jeito certo, e nisso eu finalmente a olhei.
Vi.
Mãe!
Fiquei encarando uns segundos, besta. Qual a probabilidade de entrarmos na mesma hora no elevador sem ter combinado, mesmo estando no mesmo prédio...?
E o pior é que ela ainda não tinha me olhado para ver que era eu. No metro quadrado do elevador.
- Tem que apertar do jeito certo, é? - Perguntei.
- Ah sim - ela me respondeu, ainda com aquela voz de para estranhos. E como eu a olhasse demais da conta, finalmente levantou os olhos.
- Não!
Abraço e gargalhadas.
- Não acredito! Não pode ser...
Assim eu e minha mãe nos encontramos por acaso no lugar combinado, e mesmo depois, enquanto passeavamos na Avenida Paulista, eu fiquei pensando sobre a fantástica e assustadora invisibilidade de desconhecidos.
Quantos olhares você já perdeu?

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