sábado, 17 de julho de 2010

Desfecho do semestre

Na escola eu era uma nerd estereótipo; gordinha com meus óculos e cabelos presos. E depois eu emagreci um pouco, comecei a usar lentes de contato, soltei os cabelos e até comprei uma camisa do meu tamanho e não de alguém uns dez quilos maior do que eu (que já sou muito grande!), mas diferente de filme já não tinha mais jeito - eu era uma nerd estereótipada e pronto, não era só porque eu tinha deixado de ser que as pessoas reparariam nisso.
Foi no geral uma época boa, mas não sinto saudades. E não é este o foco desse post, foi só uma introdução.
Passei direto da escola muito bem colocada em todos os vestibulares que fiz. Cursei dois anos de biologia até descobrir que não era a minha praia apesar de ser uma aluna até bem boa, estudei menos de um ano sozinha em casa porque detestei o cursinho do fundo da minha alma e, voilà! Entrei em engenharia mecânica na Unicamp, caramba, que pessoa mais esperta eu sou.
Ou não...
Porque, como acontece com uns 90% das pessoas que entram em engenharia, eu comecei a levar porrada. E a gente, que era tão acostumado a ser tão bom nisso de estudar, descobre que o buraco é bem, bem mais embaixo.
A Roomie nunca esqueceu seu primeiro 5 em uma prova; eu já tinha feito outra universidade e sabia que essas coisas aconteciam. E pra mim vieram primeiro um 4, depois 3, 2 , 1... O zero é o limite.
(Até algum professor inventar algum método de anular seus pontos e criar pontuações negativas; eu realmente não irei ficar surpresa.)
Até semestre passado, com pouco sono, muito suor e algumas lágrimas, eu no fim das contas tinha conseguido dar o meu jeito. Passado direto em todas as matérias, nenhum exame final ou reprovação.
Neste semestre, perdi minha invencibilidade.
E foi um combo. Não apenas um, ou dois; mas três exames. Isso porque recebi uns empurrõezinhos...
Vi muita gente desistir. Mas não, eu não.
Um, dois, três, valendo!
Foram doze dias dos infernos.
O namorado pegou três exames também; dois diferentes dos meus e um repetido. A Roomie, sempre tão dedicada, se livrou e foi pra casa bem cedinho; os meninos do ap do namorado também. Daí ficamos só eu e ele, sozinhos por quase duas semanas... Estudando de manhã até de noite.
Pois é, engenharia é foda.
Eu nunca estudei tanto na minha vida. Posso dizer com orgulho que consegui manter meus nervos quase sempre longe dos frangalhos, e arranjei um pique que nem sabia que tinha. Eu precisava dar o meu melhor; mesmo que fosse para dar errado, eu precisava saber que tinha dado o meu melhor. Tinha que fazer valer a pena.
O desfecho foi épico e jackbauerístico; fiz quatro provas num intervalo de 24 horas, das 14h de segunda às 14h de terça (havia também uma do meu curso de francês).
Aí eu pude arrumar as minhas coisas, deitar e dormir.
E também ver tv, ir ao cinema, namorar.
E apertar f5 compulsivamente olhando a tela do computador, esperando os resultados.
O namorado passou em tudo. Fiquei tão feliz!
E eu... Eu não.
A primeira bomba a gente nunca esquece, acho. E todo aquele texto enorme no início do post foi para justificar eu estar arrasada por algo que tanta gente diz que é normal; acho que é meu primeiro grande fracasso acadêmico.
Eu faço engenharia. Todo mundo dizia que uma hora isso ia acontecer. E eu tinha consciência que, apesar de achar que aprendi a matéria, tinha feito uma prova ruim.
Ainda assim.
Eu dei meu máximo. O que é muito bonito em teoria, saber que você tentou até o fim. Mas na prática não impede a sensação de merda. Fracasso, no final das contas, é sempre fracasso, ponto. Consciência limpa, sim; mas fracasso.
Fiquei com quatro ponto seis, faltando quatro décimos para o necessário cinco. Em outras ocasiões, dizer que o professor não trepa talvez servisse para descarregar a raiva, mas eu não estava com raiva. Estava apenas triste. E xingar o professor não mudaria a culpa, minha.
No final das contas, é só uma matéria da faculdade, que tem todo semestre e que eu estava adiantando; nem vai atrasar o curso nem nada. Só vai ser muito chato fazê-la de novo, e ter essa bomba no histórico escolar.
Agora, depois de encharcar o ombro do namorado e comer bem mais chocolate do que devia - e de escrever sobre, principalmente - me sinto melhor, menos merda.
É só a faculdade.
E eu estou indo passar minhas férias em casa.

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