quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Imaginação e amplidão. E cuspe.

Há aqueles momentos da vida em que se pensa "caramba, eu queria ter uma máquina fotográfica agora!". Recentemente ocorreram comigo duas vezes.
A primeira nem rende um comentário longo, mas achei-a cômica: uma placa na cidade de Campinas, "Aluga-se amplo kitnet". Fiquei me perguntando como, diabos, um kitnet pode ser amplo. Imaginei uma verdadeira inovação imobiliária; um grande e elegante loft fantasiado de quarto e cozinha. Na verdade devia ser apenas consequência da mania publicitária de inócuos adjetivos (nota a estudantes: nada melhor para enrolar do que adjetivos. Aprenda uns dois ou três difíceis, para aparentar vocabulário rico. Nunca falhou comigo).
A segunda merece uma descrição um tanto mais longa.
Local: São Paulo, capital. Edifício Altino Arantes, que um dia já foi o maior da América Latina; hoje ainda um local frequentado por turistas ávidos por uma vista panorâmica da cidade cinza e feia onde há tudo (não me levem a mal, acho São Paulo um local fantástico. E amedrontador).
A cena: a placa de coisas que eram proíbidas no alto do prédio. Constava nela "Sentar no parapeito, dependurar no parapeito"; e outros comentários bem óbvios que deveriam decepcionar os suicidas. E, último item, "cuspir".
É, senhoras e senhores, cuspir.
A primeira coisa que eu pensei foi como aquela observação tinha chegado ali. Afinal, a idéia deveria ser minimamente disseminada, para precisar ser proibida. Minha mente de menina de seis anos criou pequenos filmes. Uma multidão de turistas cuspidores tinha feito tempestade na terra da garoa a ponto de incomodar a vizinhança. Havia pessoas que sonhavam desde a mais tenra infância jogar gotículas de saliva lá do alto.
É um mundo difícil para os sonhadores.

2 comentários:

Anônimo disse...

Com efeito, é um mundo difícil para os sonhadores.
Mas mesmo assim há que cuspir, e com todo o catarro possível!

Igor Farias disse...

Eu uso os adjetivos do Hino Nacional.
Sou contra cuspir de andares muito altos, quem já cuspiu sabe que não tem nada a ver; o cuspe só é cuspe se ele atende a sua função social, não quando ele se dissipa em perdigotos afins.